sexta-feira, 16 de março de 2012

Tratado Sobre A Tolerância - Voltaire


Tratado Sobre a Tolerância escrito por Voltaire no ano de 1762 é na verdade um apelo para que a razão prevaleça diante de qualquer possibilidade de desavença religiosa ou de qualquer que seja a natureza. Esta obra foi escrita em decorrência da morte de Jean Calas, um comerciante Francês, protestante, condenado à morte por ter supostamente matado seu filho porque este se convertera ao catolicismo, pelo menos por essa razão o sentenciaram. No entanto Voltaire defende sua inocência a todo custo. Em geral falando sobre tolerância religiosa Voltaire percorre várias culturas e épocas fazendo uma análise de como alguns povos, tais como gregos ou judeus, tratavam pessoas que tinham pensamentos religiosos diferentes dos seus.

Curiosidade:

O livro apresenta dois paradoxos no mínimo interessantes. Voltaire que na maioria de suas obras atacara veementemente a Igreja Católica, jogando para cima dela a culpa pela alienação do povo da época, nesta obra demonstra um certo recuo nessa atitude agressiva. Pode-se dizer até que aqui temos um Voltaire católico escrevendo, ou então algo muito próximo disto.

Outro paradoxo bastante peculiar encontra-se no fato de que numa obra em que tanto fala sobre razão e sobre tolerância, Voltaire parece demonstrar um pensamento intolerante para com os Egípcios como elucidado pelo trecho a seguir: “É certo que estas excursões contínuas poderiam ser facilmente acusadas de sedição pelos sacerdotes inimigos; todavia, tais missões eram toleradas por todos, com a única exceção do povo egípcio, sempre turbulento, sedicioso e covarde: gente que havia feito em pedaços um cidadão romano porque tinha matado um gato, gente desprezível em todas as épocas, não importa o que digam os admiradores das pirâmides.” (Pág. 52)

É também aqui que se encontra um trecho célebre muito citado pelas redes sociais da vida. Já próximo ao fim de seu trabalho Voltaire fala sobre a superstição como ferramenta de alienação:

A superstição está para a religião na mesma proporção em que a astrologia está para a astronomia; é a filha abobada de uma mãe muito sábia. Mas essas duas filhas durante muito tempo subjugaram toda a terra.”

Concluindo seus escritos, o autor faz uma prece a Deus, pedindo que este tenha compaixão por sua criação permitindo com que o Homem afaste o ódio de seu meio e que o entendimento e o respeito à diferença prevaleçam.

Boa Leitura!